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No dia em que escrevo esse texto acabo de ter uma conversa com minhas amigas mais próximas - todo mundo tem aquele grupinho no WhatsApp com apenas 3 membros -, e acho engraçado como o universo faz tudo num grupo de amigos de alinhar: vocês todas tem semanas boas, ruins, sincronizam até o ciclo menstrual ou, o pior de tudo: estão passando pelo vale da sombra da morte ao mesmo tempo. Pelo menos dessa forma todas podem segurar a mão uma da outra e continuar o caminho.
Enfim, assim como na vida de qualquer pessoa estamos passando pelo início da temida vida adulta (da classe média e na nossa sociedade capitalista), onde você fica no limbo esquisito de experiências que (não necessariamente gostaríamos) temos de passar: trabalho, vida amorosa, hobbies, morar ou sair da casa dos pais, arrumar o carro ou a bicicleta, cuidar do pet e assim por diante. Não somos crianças, mas não nos sentimos adultos o suficiente. Temos o apoio dos pais que deram duro para nos oferecer os privilégios que temos mas, ao mesmo tempo, esses mesmos pais podem ser um problema.
O ponto da semana é: crises. Temos momentos onde as obrigações consomem tanto que não temos tempo de relaxar nem para o lazer e os prazeres da vida. Não existem mais férias, só dias livres voltados para outras coisas. Hoje preciso decidir se vou investir no meu tempo para limpar o quarto ou assistir dois episódios de uma série de tv. Mal consigo lembrar a última vez que assisti a um filme - e olha que nem estou falando de escala 6x1 porque, graças aos céus, nenhuma de nós passa por isso. Os fins de semana são voltados para descanso ou para um evento, rolezinho, aniversário de amigos e por aí vai.
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Mas onde está o “ajudar meus pais com coisa X” e “ir ao dentista fazer uma limpeza” e tudo mais? A gente só encaixa. No meio disso tudo: interagir com as pessoas ao nosso redor. Família, colegas de trabalho, estranhos no ônibus, na rua ou no metrô. Não sabemos de onde o corpo tira tanta energia para conversar com estranhos ou lidar com imprevistos chatos que, se aparecem, estragam toda a nossa semana. Cada semana é uma aventura diferente, eu me encontro em um episódio de Friends, Sex and The City, Os Normais ou The Walking Dead. Não tem como prever nada disso.
No geral me considero uma pessoa otimista, tento viver de modo tranquilo, fazer tudo certo, manter o foco, mas às vezes você só quer mandar tudo e todos pra “PQP”, certo? Isso é absolutamente normal e algo que ninguém vai se acostumar. Nem tudo está sob meu controle, e no fim do dia eu só agradeço por ter pelo menos uma ou duas pessoas que me apoiam e escutam áudios de 10 minutos no WhatsApp reclamando e chorando.
Todos nós somos pessoas medrosas mascarando as inseguranças e se achando muito espertos. O mundo é, simplesmente, assustador demais. Quando eu era criança assistia O Diabo Veste Prada pensando “uau, quero ter essa vida”, e hoje em dia é meio que óbvio - todos tem essa vida corrida, caótica, em pânico (onde muitas vezes nada é tão urgente assim), mas sem as roupas legais.
Sim, eu sei que usar O Grito é um exagero. O pobrezinho do Munch sofria demais. Em 1893, com 30 anos, ele já tinha perdido a mãe e uma irmã, brigado com o pai e acabado de sair do hospício onde outra irmã estava internada. Munch caminhava com uns amigos no píer e travou numa grade, começou a tremer e sentiu o que chamou de “grito infinito da natureza”. Foi exatamente esse surto que deu origem ao quadro O Grito.
Talvez esse texto não tenha um objetivo, seja mais um desabafo. Em semanas onde estou mais tranquila tento aproveitar ao máximo, o chamado “amo viver” só pelo fato de conseguir assistir uma comédia romântica dos anos 2000 em uma quarta-feira às 15h.
Como lidar com tudo isso? Penso “amanhã isso vai ser um problema?”, ou “daqui a 3 meses eu vou lembrar desse dia e reviver na memória obsessivamente?”.
Bem, talvez não.
Afinal, são coisas da vida. O carro vai dar problema, seu salário vai atrasar, o papel higiênico novo que você comprou não é bom e o carinha com quem você passou 1 mês conversando te deu ghosting e você não sabe se o problema é ele (provável) ou você (terapia).
No fim, espero que tudo fique bem. O seu artista favorito vai lançar álbum novo na próxima sexta, amanhã você vai a uma festa junina e depois ao cinema, ou a um café com suas amigas para fofocar sobre as maluquices da vida.
Ok, agora me senti a Carrie Bradshaw. Vou deixar um trecho que ela fala/ escreve em um dos episódios (que é hilário):
Afinal, computadores travam, pessoas morrem, relacionamentos acabam. O melhor que podemos fazer é respirar e recomeçar.
Até mais!
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