por que todo mundo está obcecado pelas fotos de Szilveszter Makó?
O primeiro vislumbre que tivemos de Szilveszter Makó talvez tenha sido em janeiro de 2026, com seu ensaio para a revista Who What Wear, com Elle Fanning como modelo principal, para promover o filme Valor Sentimental — vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional (sim, que venceu o nosso Agente Secreto). Claro, todo o ensaio foi bem pensado, com peças que conversam entre si, apesar de serem das mais diversas marcas — a estilista Lauren Eggertsen conseguiu casar peças de Marc Jacobs, Gucci, Acne Studios e até da Miu Miu, além de milhares de acessórios —, porém, a atriz foi o foco principal do ensaio. A direção criativa do próprio Makó fez isso acontecer como num passe de mágica.

As fotos são a cara da Elle, que por anos vem usando roupas mais no estilo “princesa”, muito Chanel e Givenchy e Coach, simples e elegantes que não precisavam chamar atenção demais, já que seu carisma é o suficiente para conquistar o público e as câmeras — e não é à toa que a atriz foi escalada como Effie Trinket no próximo filme de Jogos Vorazes. Tudo o que ela precisava era de uma produção digna que condissesse com sua personalidade alegre.
Aqui, com Makó, seu brilho aumenta ainda mais em um editorial etéreo, divertido, sem medo de arriscar ou de ficar deitada no chão por horas, imóvel, a fim de atingir o shot perfeito. O estilo do fotógrafo húngaro finalmente ganhou um palco maior após anos de desenvolvimento na sua bolha artística europeia.
Makó também foi pintor, e isso é o seu diferencial. As obras são teatrais, inspiradas no Surrealismo e no contraste de cores, além do gosto pelas formas geométricas bem estruturadas, pelo contraste de luz e sombra e por tons menos saturados. O estilo “pintura” é a cereja do bolo e, de acordo com o próprio, prefere usar luz natural da cidade de Milão. A captura digital ocorre; em seguida, a edição é feita à mão após a impressão — definitivamente algo mais trabalhoso que é fora da curva, algo muito mais complexo e delicado do que editar as camadas, filtros e texturas no Photoshop.
Desde sua ascensão, o fotógrafo fez trabalhos com as mais diversas revistas de moda, fotografou Bad Bunny, Willem Dafoe, Olivia Rodrigo, Cardi B, Gwendoline Christie e, agora, mais recentemente, Sandra Bullock. Todas as capas de revistas ou ensaios principais.
As problemáticas
O ensaio que mais me chamou a atenção certamente foi o da atriz Daisy Edgar-Jones. Pouco tempo antes do trailer de seu mais novo filme ser lançado (Razão e Sensibilidade), a atriz posou para o fotógrafo e virou capa da Vogue UK de agosto de 2026. Esse deve ter sido o detalhe certeiro para a promoção do filme e de Daisy: a estética renascentista, “whimsical”, vintage, combina com o rosto de Jones e até com qualquer adaptação de Jane Austen em sua era georgiana da Inglaterra (até para os leigos de moda e indumentária isso fica mais óbvio: foi algo que conversou bem até demais com Edgar-Jones e com a proposta do filme de época). Mas talvez a graça pare por aí.

De novo, para os espectadores menos atentos, Makó sempre será disruptivo. Em tempos de IA e ensaios (chatos) básicos até demais da Vogue US, ver uma produção gigantesca para um ensaio de fotos é refrescante. Makó traz o espírito artístico de que tanto sentimos falta no nosso dia a dia, a diversão, a atenção aos detalhes. Não há como tirar os olhos das fotos, das roupas e dos detalhes, e a vontade de correr para o site de venda de revistas para ter uma cópia física é grande, quase viciante.
Com o fotógrafo tão ocupado, é bom se perguntar até que ponto sua criatividade vai. Os ensaios restantes (após Elle Fanning e Daisy Edgar-Jones) talvez pareçam saturados ao público/mundinho da moda. Até que ponto a estética divertida de Makó combina com a promoção que está tentando fazer? Sim, ele combina com Bad Bunny, mas não sabemos se a Cardi B é a escolha ideal pra promover… o que quer que ela esteja fazendo agora.
É bonito de se ver? Sim. Combina com tudo? Não.
Não estamos aqui para julgar a produção e os artistas por trás, porém, sabemos que cada editorial possui um objetivo concreto, a estética certa para atingir cada público-alvo. Deve haver um diálogo claro entre a modelo, a revista e o fotógrafo porque o que estamos querendo passar aqui? Queremos ser diferentes por isso mesmo ou fazer nosso público pensar? Já estamos cansados de saber que a moda vive entre esses dois espectros.
Quando a arte fica comercial demais ela cansa, ou talvez chegue perto disso. De qualquer forma, continua sendo um deleite saber que essa forma de expressão jamais vai morrer.

Agora, um drama brasileiro: ê influenciadore Gabb postou um vídeo divertidíssimo, como sempre, falando sobre a estética de Szilveszter e apontando justamente o que foi falado aqui: a estética do fotógrafo é específica demais e, como seu trabalho “explodiu” no mundo da moda, o público acha que os famosos estão copiando uns aos outros. Deveria ser um vídeo de análise comum, mas o próprio Szilveszter não compreendeu o vídeo em português e se incomodou com o uso de “imagem” no vídeo.
@szilvesztermako: U don’t use credits when u use someone’s work to grow ur account? [Você não dá os créditos quando usa o trabalho de alguém para fazer sua conta crescer?]
Resultado: Gabb (que apenas comenta sobre Moda) foi bloqueado no instagram por Szilveszter do absoluto nada. Os fãs brasileiros não deixaram barato, e Gabb fez um vídeo divertidíssimo criticando Makó. Confira a parte 1 aqui e a parte 2 aqui.
Em conclusão: o grande “mundinho” da moda é um ciclo que precisa ser renovado constantemente. Alguns estilos perduram, outros não, e só o tempo vai nos dar o veredito. Szilveszter é talentoso, não há como negar, mas precisamos de um espaço para respirar de vez em quando.
Vejo vocês na próxima newsletter! Se não é inscrito, clique aqui:




0 comments